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El Salvador: o primeiro país a utilizar o Bitcoin como moeda legal

El Salvador se tornou, em 7 de Setembro de 2021, o primeiro país a oficializar a criptomoeda mais famosa do mundo, o bitcoin, como moeda legal. A decisão tomada pelo presidente Nayib Bukele é um experimento revolucionário para a economia do país que já vinha sofrendo. 

Sendo um país pobre e dolarizado há tempos,  o país adota a criptomoeda como uma forma de circular e estimular sua economia. E isso, é claro, faz com que o mundo dos investidores olhe para El Salvador. Afinal, todos querem saber se vai dar certo.

Conhecendo mais El Salvador

El Salvador fica localizado na América Central, tem uma extensão territorial de 21.041 km² e sua capital é San Salvador. Seu sistema de governo é uma república presidencialista e seu idioma oficial é o espanhol.

O país é densamente povoado, contando com 292 hab/km². E sua população é predominantemente mestiça de indígenas e espanhóis.

Apesar de colonizado pelos espanhóis, em 1821 o México passou a dominar os territórios de El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Costa Rica. E assim foram formados, em 1823, os Estados da Federação das Províncias Unidas da América Central. Porém, somente em 1856 o país se tornou de fato um estado autônomo.

Como estava a economia de El Salvador

Desde a década de 1980, o país lida com sua desestabilizada economia. Afinal, esta década foi marcada por uma guerra civil que deixou 75 mil mortos e milhares de refugiados, abalando toda a estrutura socioeconômica do país.

Hoje a economia nacional tem como base o cultivo e exportação de café, cana-de-açúcar e camarão. Os produtos para consumo interno são: arroz, milho, feijão e sementes oleaginosas. As principais indústrias atuam nos setores de processamento de alimentos, bebidas, petróleo, tabaco, têxtil, móveis e cimento.

Atualmente, quase metade dos habitantes de El Salvador vive abaixo da linha de pobreza.

Como surgiu essa ideia?

Há 10 anos, quando o bitcoin foi criado, seria impossível imaginar que chegaria ao mercado uma moeda 100% virtual e independente do investimento de qualquer instituição soberana, como um Banco Central, para existir. Aliás, pensar que essa moeda se tornaria um dos maiores investimentos rentáveis de toda uma década e, ainda, seria considerada a moeda oficial de um país junto ao dólar, seria certamente considerado uma loucura.

O Bitcoin, que surgiu de forma revolucionária, como um grito de resposta ao monopólio sobre a impressão de dinheiro dos bancos centrais, deu um passo importante no início do mês, na terça-feira, 7 de setembro. Afinal, no mesmo dia em que o Brasil comemora a sua independência de Portugal, El Salvador passa a celebrar a sua independência de qualquer Banco Central ao adotar a criptomoeda mais famosa do mundo, o bitcoin, como moeda oficial de seu país.

O presidente Bukele, com o olhar no futuro, apostou então todas suas fichas – ou melhor, milhões de dólares em bitcoins – para resgatar a economia de El Salvador.

Bukele é jovem, influenciador digital e foi eleito com um discurso modernizador e populista. Com maioria no Congresso, trocou os membros da Suprema Corte e aprovou a mudança, na qual apostou todas as fichas do país e mais algumas, sem problemas. “Três minutos para fazer história”, escreveu em seu perfil no Twitter pouco antes que o sistema entrasse em funcionamento. “Claro que o processo de adoção do bitcoin terá uma curva de aprendizado. Todo caminho novo é assim.”

Implementação do Bitcoin no país

Então, o governo de El Salvador colocou em prática, em 7 de setembro de 2021, seu movimento mais ousado: a adoção do bitcoin como moeda nacional. 

Há vinte anos era implementado o dólar como moeda oficial no dia a dia dos milhões de habitantes do menor país da América Central. Agora, a meta do jovem presidente Nayib Bukele é que as transações passem a ser realizadas por meio da criptomoeda. Para isso, o governo do país começou a instalar caixas automáticos para que a população pudesse movimentar os bitcoins. Além disso, foi criada uma carteira virtual (wallet), denominada Chivo Wallet. Nesta carteira virtual, cada cidadão salvadorenho recebeu o equivalente a US$ 30 – um valor significativo, principalmente para o cidadão mais pobre.

O presidente Nayib Bukele fez uma grande pressão popular e política para a adoção da criptomoeda. Ele, inclusive, pediu aos usuários que baixaram o aplicativo apoiado pelo governo que testassem o seu funcionamento, estimulando o uso da moeda e do app.

O experimento realizado no país ainda está sendo testado. No início, imprevistos ocorreram, como ter que desconectar a carteira digital para conseguir organizar e suprir a demanda dos usuários.

Ainda não está claro se as empresas serão penalizadas se não aceitarem o bitcoin ou mesmo como a operação será regularizada. Afinal, a medida foi recentemente lançada e agora está sendo aperfeiçoada através da experiência dos usuários.

Como a população reagiu?

A maioria dos salvadorenhos ainda estão com dificuldades para aderir o bitcoin como moeda, já que grande parte da população é pobre e não possui celular ou conta bancária. O governo desenvolverá planos de ações para que essas pessoas menos favorecidas tenham o mesmo acesso a contas e transações como qualquer outro cidadão de El Salvador.

Quando lançada, no último dia 7, a carteira virtual, os salvadorenhos que tentavam baixar a Chivo Wallet, promovida pelo governo, não tiveram sucesso. Na sequência, o presidente foi ao Twitter avisar que o governo tinha desconectado temporariamente o aplicativo para lidar com a demanda. 

Isso gerou uma instabilidade maior em um momento onde pesquisas já indicavam preocupações dos salvadorenhos, principalmente com a volatilidade da criptomoeda. 

Porém, como tudo ainda é novo e em fase experimental, a população ainda terá tempo para se acostumar pouco a pouco com o bitcoin sendo uma moeda oficial no país.

O bitcoin salvará a economia de El Salvador?

O objetivo de Bukele é oferecer uma alternativa além do dólar para tentar mudar os rumos da economia, já que El Salvador é um país pobre.

Os negócios andam em marcha lenta desde a década passada, situação que piorou com a pandemia. A emigração causada pela guerra civil deixou resquícios: ainda hoje, 20% das receitas em moeda forte vêm das remessas internacionais de salvadorenhos que moram fora.

Assim, essa tomada de decisão é bem corajosa e representa mais um passo histórico na evolução da história do bitcoin. A cripto é minerada desde 2008 e há muito tempo não é mais restrita a nichos tecnológicos ou às próprias transações na internet.

Porém, sua adoção por El Salvador é o avanço mais radical e revolucionário que poderia existir, já que uma nação inteira aderiu à criptomoeda como oficial e legal. 

E isso faz com que os olhos dos investidores do mundo inteiro se voltem para El Salvador.