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O Mercado financeiro é pra mim?

O mercado financeiro é pra mim?

Todos os dias escuto essa pergunta. No entanto, não há outra forma de responder a não ser: sim. Sim, sim, mil vezes sim. Há espaço para trabalhadores no mercado financeiro. Porém, é preciso que as pessoas entendam a importância da educação financeira desde a mais tenra idade a fim de que se desmistifique a área.

Vejam bem: há 12 anos, eu era garçom. Em algum momento, tive a oportunidade de assistir ao filme ‘Em busca da felicidade’ e li o livro ‘Pai rico, pai pobre’. A partir disso, percebi a necessidade – e a dificuldade – de investir em mim, de buscar a ascensão profissional para mim e para minha família. Quis isso. Não vou dizer que foi fácil, mas é possível. Hoje, dedico a vida a incentivar cada vez mais pessoas a trilharem esse caminho. Espero que você, caro leitor, seja uma dessas.

Por que não sonhar?

Uma das analogias que eu gosto de fazer é a do jogador de futebol. Apenas 3% dos jogadores brasileiros ganham acima de R$ 100 mil. Porém, isso não impede que meninos de todos os lugares, principalmente os mais pobres, de baixo IDH, sonhem com isso. No entanto, a grande maioria dos jogadores ganha de 2 a 3 salários mínimos mensais.

Mesmo assim, isso não os impede de sonhar. E se isso também acontecesse no mercado financeiro? Que nossos meninos sonhassem em ser Agentes Autônomos de Investimento (AAI)?

E como conseguir? Através da educação e da renda. O Brasil observou a entrada de 1 milhão de pessoas na Bolsa de Valores durante a pandemia e todo mundo comemorou. Só que pouco foi divulgado que a média mensal de renda desses novos investidores é de R$ 6 mil e o mercado de ações é de longo prazo.

No entanto, com esse valor fica difícil ter visão de longo prazo. Essas pessoas ficarão no Day Trade, usando mini-índice. Por tudo isso, meu foco sempre foi realizar uma solução educacional para ensinar educação financeira, produtos de investimentos e tentar criar conexões entre assets, agentes autônomos e bancos.

Você pode me perguntar: “Mas Gilvan, para atuar no mercado financeiro é necessário certificação. Só assim.”

Concordo e digo mais. Hoje, por saberem da necessidade de inclusão, muitas empresas fazem trabalhos específicos para entrada de pessoas de baixa renda nesse mundo. E isso é imprescindível.

Economizar, diversificar, multiplicar!

Eu sei que temos muitas pessoas ajudando as famílias brasileiras – mais de 70% estão endividadas – a fugir do cartão de crédito e do cheque especial. Por isso, meu foco é mostrar que essas pessoas que conseguiram economizar podem fazer esse dinheiro render para elas, multiplicando, aumentando o patrimônio.

Hoje temos 1 trilhão de reais na poupança, 5 trilhões de reais em fundos de investimento. Mas as pessoas não sabem como sair desse patamar. É aí que eu digo que há espaço para qualquer pessoa no mercado financeiro. É preciso achar a solução.

E a solução é mostrar ao brasileiro, que tem um perfil conservador, que ideias como startups, investidores-anjo, debêntures etc. podem ser muito profícuas. É preciso mostrar para essa população conservadora que eles podem fazer uma construção de renda com outros produtos para além daqueles conservadores clássicos, criando portfólios inteligentes, usando os ETFs, investimentos em cripto, entre outros, desde que se tenha conhecimento para isso.

Acredite e mantenha o foco

A pergunta que fica é: como conseguir? Criando uma sociedade com inteligência financeira, que entenda a importância de saber como lidar com o dinheiro. Não é fácil, mas vamos conseguir.

Já precisei de sete entrevistas para entrar em um emprego. E nunca desisti. Você pode me perguntar “mas qual o motivo disso, Gilvan? Qual o motivo de você estar dizendo isso nesse artigo?” E eu te respondo: para que você não desista. Foco, obstinação e networking são as melhores dicas que eu posso te dar para trabalhar diariamente.

Precisamos ter mais conhecimento e mais acesso. É para isso que eu existo. Para encurtar essa distância entre o conhecimento em termos de educação financeira e a sua realização nos investimentos.

Gilvan Bueno Costa é destaque pela “Revista Forbes Especial Inovadores Negros: 9 brasileiros que estão apostando na educação financeira e no crédito como arma de ascensão social”. Especialista em Finanças com experiência em vários bancos de investimentos e fintechs. Membro da comissão de finanças do Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro. Membro do comitê de investimentos do fundo Baobá de Igualdade Racial. Sócio fundador da Financier Educação S/A e Financier Idiomas.

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