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O que são NFTs? Entenda em 5 passos

Quem faz parte do mercado cripto há algum tempo já está familiarizado com o termo NFT. Com o surgimento – e o boom! – dessa tecnologia, artistas digitais do mundo inteiro conseguem ganhar um bom dinheiro com seus trabalhos.

Mas afinal, o que é isso? O que significa NFT? Vamos explicar em cinco tópicos.

NFT

A sigla NFT significa non-fungible tokens – em português, tokens não fungíveis. O NFT é uma tecnologia que, dentre outras coisas, possibilita adquirir e validar a propriedade de arquivos digitais. Isso é feito através da tecnologia blockchain desenvolvida dentro do sistema da criptomoeda Ethereum. É por meio da blockchain que pessoas e entidades podem comercializar e trocar a propriedade de obras de arte digital, arquivos de música, de vídeo, de textos e muito mais.

Quando surgiu?

Criado em 2017, o CryptoKitties trouxe consigo os primeiros NFTs considerados importantes para o mercado cripto. Trata-se de um jogo online em que o usuário cria, coleta, compra e vende avatares no formato de gatos. O diferencial? Cada gato é único! Como? Nenhum gato do jogo pode ser replicado. Isso é garantido por meio da tecnologia blockchain.

Ativo Fungível e Ativo não Fungível

Para compreender o mercado de NFTs, vamos antes entender a diferença entre um ativo fungível e um ativo não fungível. O termo fungível se refere a algo que pode ser substituído por outra coisa de mesma espécie, qualidade, quantidade e valor. Isso se relaciona com as características de cada ativo.

Ativo fungível

Se um ativo possui vários pares idênticos, se trata de um ativo fungível. É o caso de moedas, como o Real, e de materiais como o petróleo e o ouro.

Para exemplificar, vamos pensar no ouro: uma barra de ouro sempre será igual a outra barra de ouro – e ambas sempre terão o mesmo valor em relação ao seu peso.

Ativo não fungível

O que caracteriza um ativo não fungível é a sua unicidade. Obras de arte são um bom exemplo.

Pense na “Mona Lisa”. Existem inúmeras réplicas deste quadro espalhadas pelo mundo inteiro – seja em telas emolduradas, na estampa de bolsas e camisetas ou até em canecas de café. Mesmo assim, a obra original, pintada por Leonardo da Vinci, segue sendo especial, não é? É esta característica que torna a “Mona Lisa” um ativo não fungível: ela é única. Sua imagem até pode ser reproduzida, mas o seu valor não – ele permanece intrinsecamente ligado ao quadro que hoje está no museu do Louvre.

NFTs e o Mercado de Criptoativos

Agora que entendemos o que é NFT e o que significa dizer que algo é “não fungível”, vamos falar sobre como essa tecnologia está conectada ao mercado de criptoativos.

O conceito de não-fungibilidade foi levado para dentro do universo da blockchain através de alguns padrões de tokens. No caso da blockchain da Ethereum, existem três padrões diferentes.

O primeiro padrão utilizado é o ERC-20. Sua principal característica está na fungibilidade, o que significa que todos os tokens criados seguindo esse padrão serão idênticos. É o contrário do padrão ERC-721. Neste caso, suas características garantem que cada token criado a partir dele será único – o ERC-721 é o padrão mais utilizado na criação e validação de NFTs.

Também existe a possibilidade de unir os dois padrões citados acima. Isso se dá através dos tokens ERC-1155, que permitem o desenvolvimento de tokens fungíveis e não fungíveis na mesma aplicação.

Valor dos NFTs

Para falar de valor, é importante citar dois fatores muito importantes dentro do segmento dos NFTs: o conceito de escassez e a proximidade entre emissor e receptor.

Você deve estar se perguntando como pode uma imagem digital, que pode ser facilmente compartilhada, pode ser escassa. E ainda: como podem garantir a originalidade de um arquivo digital, também simples de replicar?

A resposta para essas dúvidas é simples, meu caro leitor: precisamos parar de olhar para o NFT como se ele fosse a obra de arte em si (ou um item de colecionador) e passar a vê-lo como um autógrafo do artista que a desenvolveu. E o próprio ato de criação do NFT – chamado de mint – é uma das formas de garantir a originalidade do token que você adquiriu.

Agora podemos pensar em valores: a Christie’s, uma das empresas de arte mais importante do mundo, leiloou um NFT pela primeira vez em novembro de 2020 por um valor de aproximadamente 130 mil dólares. Em março de 2021 essa mesma galeria realizou a terceira venda mais cara de uma obra de arte feita por um artista vivo na história. Trata-se do NFT da obra Everydays: The first 5000 days, do artista Beeple. O valor? Nada mais nada menos do que 69 milhões de dólares. É dinheiro que não acaba mais!

O futuro das NFTs

Em 2020, segundo relatório da Mercurius Crypto, o mercado de arte movimentou mais de 50 bilhões de dólares em vendas.

Com o potencial dos NFTs – somado ao hype do mercado cripto – alguns dos maiores Ventures Capital do mundo estão investindo nos principais projetos desse segmento. Como destaque, podemos citar o aporte de 23 milhões de dólares feito pela empresa Andreessen Horowitz para a OpenSea (maior marketplace de tokens não fungíveis atualmente).

O objetivo do investimento é realizar melhorias na infraestrutura da OpenSea e expandir sua base de clientes – com o foco de atingir uma parcela maior do mercado de vendas de arte.

O que será que aconteceria se uma parcela do mercado global de arte resolvesse migrar para os marketplaces de NFTs, como a OpenSea?

Bom, com esses exemplos, já deu para entender as dimensões desse mercado e imaginar um pouco o que virá, não é mesmo?

Quer entender mais sobre o universo da tecnologia cripto? Veja nosso artigo sobre Criptomoedas inspirando o mercado financeiro e serviços digitais