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Três fatores que fizeram o Bitcoin performar muito bem durante 2020

O que explica a valorização do Bitcoin neste ano de 2020 e como a criptomoeda passou pela prova de fogo que foi este ano para ativos financeiros, seja na criptoeconomia ou no mercado financeiro convencional? Vamos repassar os três principais fatores elencados pelo nosso CEO que explicam a valorização do Bitcoin em 2020.

O Bitcoin voltou ao mainstream. É muito provável que você tenha ouvido falar da criptomoeda até durante a ceia de natal.

Não é por menos. O Bitcoin atingiu sua máxima histórica nesta última semana de Dezembro – e a vem quebrando sucessivamente – sendo negociado em torno de R$135.000,00. Você não leu errado: cento e trinta e cinco mil reais!

E o que justifica seu preço nesses atuais patamares, esbanjando uma valorização impressionante de mais de 350% se comparado ao seu valor de 1 ano atrás? Destaco três grandes fatores que explicam esse processo de valorização. Confira abaixo:

fonte: Morningstar, Coinbase, Alter database

1º fator: nossa moeda, o real brasileiro (BRL), não tem muito valor

Uma constatação óbvia para os bitcoineirs de longa data, mas que foi sentida duramente por pessoas alheias ao criptomercado durante 2020.

O real foi uma das moedas com pior performance durante o ano de 2020. O dólar iniciou o ano cotado a R$4,02 e está encerrando o ano em R$5,22, uma perda de valor superior a 30%.

Diversos são os motivos para a depreciação de nossa moeda, destaco três abaixo:

E o que o Bitcoin tem a ver com o dólar e o real, você pode estar se perguntando?

Tudo. Principalmente com o dólar. O Bitcoin é um ativo global e é precificado em dólar, sendo um bom mecanismo para obter exposição à moeda estrangeira e se proteger contra riscos de inflação monetária. 

Em maio, publicamos neste blog o artigo “Fuja da desvalorização do real com investimento seguro em Bitcoin” que se mostrou muito atual e certeiro, escrito pela nossa economista Yohanna Juk.

2º fator: o Halving do Bitcoin em 2020

Em 2020, o Bitcoin passou pelo processo conhecido como Halving, que causa uma diminuição drástica na inflação monetária da criptomoeda.

Explico em termos mais simples: menos Bitcoins são produzidos a partir disto, resultando em uma redução da oferta no mercado.

A cada 4 anos este fenômeno acontece e diminui em 50% a quantidade de Bitcoins que são criados (minerados).

Os seus efeitos no preço do ativo não acontecem de imediato, mas são vistos em um médio prazo, pois deixam o jogo da mineração ainda mais difícil para as empresas. 

Também escrevemos sobre isso, recomendo a leitura: O que é o Halving? e “Aprofunde seus conhecimentos sobre investimentos e aproveite o Halving”? Antes do Halving, o Bitcoin era negociado em torno de R$50 mil. A valorização desde então é de 170%.

3º fator: Maior apetite institucional

O rally que temos visto nos últimos meses deste ano foi puxado por investidores institucionais.

Tudo começou com o Paypal, em meados de outubro, anunciando que permitiria a compra e venda de Bitcoin e outras criptomoedas

Destaco, ainda, o fundo da Grayscale Investments que já possui cerca de 3% de todos os Bitcoins existentes. Na data atual, o fundo já detém cerca de US$12 bilhões em Bitcoins. O fundo é um dos poucos regulamentados nos Estados Unidos, o que tem concentrado o investimento de outros players institucionais e family offices. Falei sobre isso na SeuDinheiro, em 17 de dezembro.

Houve ainda um investimento superior a US$ 1 bilhão em Bitcoins liderado pela MicroStrategy. A empresa produz softwares para inteligência de negócios e seu CEO, Michael Saylor, acredita na tese do Bitcoin como reserva de valor. Em sua análise, ele concluiu que se expor ao Bitcoin era melhor que deixar dinheiro parado em dólar

Similar ao ponto inicial, em que comentei que o nosso real brasileiro (BRL) não tem muito valor, os americanos também não estão muito confortáveis com a injeção massiva de liquidez do Federal Reserve durante 2020 e que não dá sinais de parar durante 2021.

Será que esses fundamentos se manterão para o ano de 2021? Eu não tenho dúvidas. Mas isso não quer dizer que não possa haver volatilidade no curto prazo. 

Nunca compre um ativo sem saber o que está fazendo.

Boas festas

Artigo escrito em 26 de dezembro de 2020 por Vinicius Frias, fundador e CEO do Alter, conselheiro da stablecoin CryptoBRL e apresentador do podcast sobre criptoeconomia AlterTalks.